Sitting All Day Is Killing You — Here’s What to Do About It | Manoush Zomorodi | TED
TED
0:00 Tradutor: Maurício Kakuei Tanaka
0:03 Você já fechou o laptop no fim de um dia longo
0:07 e sentiu que tinha energia só para ir até o sofá?
0:12 Ou para rolar no celular ou assistir a um programa?
0:17 Ou talvez fazer as duas coisas ao mesmo tempo?
0:21 Sim, durante a pandemia, eu só queria fazer isso,
0:23 e eu não conseguia entender o porquê.
0:25 Eu estava segura, saudável.
0:27 Por que não queria fechar o laptop
0:29 e dançar pela sala?
0:31 Para onde tinha ido toda a minha energia?
0:34 Sou jornalista.
0:36 Minha especialidade nos últimos dez anos tem sido tentar entender
0:39 como a tecnologia nos muda.
0:43 Então decidi descobrir
0:45 por que ficar na frente de uma tela nos deixa exaustos.
0:50 Todo mundo já ouviu falar dos efeitos mentais, certo?
0:54 Mas e a nossa saúde física?
0:57 Bem, como aprendi rapidamente,
1:00 olhar para telas não só remodelou nossos dias,
1:03 como está remodelando nossos corpos.
1:05 Segundo pesquisadores da Johns Hopkins,
1:07 o jovem de 19 anos, em média, se movimenta mais ou menos
1:10 como uma pessoa de 60 anos.
1:13 Nos últimos 20 anos,
1:14 as taxas de diabetes tipo 2 entre jovens dobraram.
1:18 Três em cada quatro adultos norte-americanos têm uma doença crônica.
1:22 Muitas delas são preveníveis.
1:25 Pelo menos uma doença crônica.
1:27 E a OMS diz que isso é um problema global.
1:30 Eles preveem que, até o fim da década, que não está tão longe,
1:33 esse estilo de vida provavelmente levará a 500 milhões de novos casos
1:37 de doenças preveníveis,
1:39 como doenças cardíacas, obesidade e diabetes,
1:42 custando aos governos US$ 27 bilhões por ano.
1:46 Digitar, deslizar, rolar, sentar.
1:51 Esse é o ritmo da vida moderna.
1:54 Não sei vocês,
1:55 mas eu não consigo jogar meu celular fora.
1:57 Não consigo me desconectar totalmente.
2:00 Então, como podemos permanecer conectados sem destruir nossa saúde aos poucos?
2:06 Essa era a pergunta que passava pela minha cabeça
2:08 quando encontrei esse cara.
2:10 Keith Diaz é fisiologista no Columbia University Medical Center
2:14 e passou a carreira inteira
2:16 tentando descobrir qual é o mínimo de movimento necessário
2:20 para que sentar não nos mate, basicamente.
2:23 Em 2022, ele publicou um estudo que nos dá uma ótima ideia.
2:27 Ele descobriu que apenas cinco minutos de movimento leve a cada 30 minutos
2:31 têm efeitos dramáticos:
2:33 reduzem a glicose e a pressão arterial.
2:37 Em outro estudo, ele descobriu que pessoas inativas
2:39 que trocavam 30 minutos sentadas por 30 minutos de movimento todos os dias
2:43 podiam reduzir o risco de morte prematura em 18%.
2:48 E aí talvez você pense:
2:50 “Ah, eu malhei hoje de manhã, então tá tudo certo.”
2:53 Ou talvez:
2:54 “Ainda bem que comprei aquela mesa de pé.”
2:58 Sinto muito, mas não.
3:02 (Risos)
3:03 Se você passa a maior parte do tempo sentado ou em pé,
3:08 sua saúde também está em risco.
3:11 “Não pare de malhar”, Keith me disse,
3:13 mas você precisa interromper esses longos períodos sedentários na frente da tela.
3:19 Quando ele me disse isso, fiquei tipo: sério?
3:21 Qual diferença essas pausas podem fazer
3:24 para alguém relativamente saudável?
3:26 Decidi participar do estudo.
3:29 Então, um dia, fui ao laboratório dele
3:31 e fiquei sentada, trabalhando no laptop, por oito horas seguidas.
3:35 No dia seguinte, fiz algumas pausas para me movimentar
3:38 a cada meia hora, mais ou menos.
3:40 Eles checaram todos os meus sinais vitais,
3:42 e os resultados foram realmente extraordinários.
3:45 Minha glicose caiu quase pela metade.
3:48 Minha pressão arterial caiu cinco pontos,
3:51 e meu humor estava muito melhor.
3:54 A ciência era clara,
3:57 mas de que adiantava se ninguém conseguisse fazer essas pausas?
4:01 No laboratório, era fácil.
4:03 Alguém me tocava no ombro e me levava até a esteira.
4:06 Então decidimos perguntar às pessoas, no mundo real,
4:11 se elas conseguiriam fazer isso.
4:13 Nós, as equipes da NPR e de Columbia, unimos forças para criar um podcast
4:18 e um ensaio clínico global chamado Body Electric.
4:21 Mais de 20 mil pessoas se inscreveram.
4:24 Tivemos que limitar a 20 mil.
4:27 Elas podiam escolher a dose de movimento:
4:29 cinco minutos a cada meia hora,
4:31 cinco minutos a cada hora ou a cada duas horas.
4:34 Podiam dançar pela casa, andar de um lado para o outro durante chamadas,
4:38 passear com o cachorro, levar o lixo para fora,
4:40 não importava.
4:41 Só precisavam quebrar aqueles longos períodos sentadas.
4:46 Eu fiquei muito animada.
4:49 Pensei: vamos lançar um movimento pelo movimento.
4:54 Sim, sei brincar com as palavras.
4:56 (Risos)
4:57 Mas não vou mentir.
4:59 Os primeiros dias foram muito difíceis.
5:02 É preciso muita intenção
5:04 e um pouco de rebeldia
5:05 para virar de cabeça para baixo um mundo construído em torno de telas e cadeiras.
5:11 Mas, quando as pessoas entenderam,
5:13 quando começaram a encaixar essas pausas na vida delas,
5:17 começaram a ter avanços.
5:18 Relataram menos dor,
5:21 mais energia
5:24 e uma visão mais positiva da vida.
5:28 No fim, entre as pessoas que começaram a fazer pausas para se movimentar,
5:32 80% conseguiram mantê-las por duas semanas seguidas.
5:35 E, sim, foi um estudo autorrelatado,
5:38 com participantes muito motivados.
5:41 Olá, rádio pública.
5:42 Mas, ainda assim,
5:44 os dados mostraram que, quanto mais pausas faziam,
5:48 melhor se sentiam.
5:49 Quem foi para fora ganhou um impulso extra.
5:52 Algumas pessoas perderam alguns daqueles quilos teimosos,
5:55 e a maioria realmente gostou de fazer as pausas.
5:59 Mas a maior surpresa para mim
6:00 foi que as pausas não prejudicavam a produtividade.
6:04 As pessoas voltavam às mesas, conseguiam se concentrar
6:08 e sentiam que o trabalho que faziam tinha mais qualidade.
6:12 Essa pesquisa ainda está passando pelo processo científico.
6:16 Mas Keith me explicou alguns dos motivos
6:18 pelos quais essas pausas leves podem ter um impacto tão grande.
6:22 Quando nos sentamos,
6:24 nossas artérias se dobram nos quadris e nos joelhos,
6:27 como uma mangueira de aspirador dobrada.
6:29 O sangue começa a se acumular nas pernas, e os músculos param de se contrair.
6:34 Mas os músculos das pernas precisam se mover, ser estimulados,
6:37 para eliminar gordura e açúcar e reduzir a pressão arterial.
6:41 Se isso não acontece, ao longo de meses e anos,
6:44 é aí que essas condições crônicas começam a surgir.
6:47 E depois tem a nossa postura.
6:49 Sentar comprime o diafragma.
6:52 Começamos a respirar de forma superficial.
6:54 Respiração superficial leva menos oxigênio ao sangue e ao cérebro.
6:59 Menos oxigênio no cérebro significa cansaço e perda de foco.
7:03 Fiquem à vontade para respirar fundo agora, se quiserem.
7:07 E é aí que entram as telas.
7:10 Elas podem atrapalhar algo chamado interocepção.
7:14 Interocepção é a forma como o corpo diz do que precisa:
7:18 um lanche,
7:19 ir ao banheiro, se mover.
7:22 Quanto mais focamos nas telas,
7:24 menos ouvimos os sinais que o corpo nos envia.
7:28 Seu corpo pode estar implorando por uma pausa,
7:31 mas o que você faz?
7:32 Continua rolando, passando pela ansiedade,
7:35 passando pelo cansaço.
7:38 Isso pode levar ao esgotamento, sim,
7:41 e às condições crônicas.
7:44 Então, como você pode começar a mudar para se sentir melhor?
7:49 Primeiro, pense nos seus períodos mais sedentários
7:53 e crie um mantra para si mesmo.
7:55 Se você for estudante, pode dizer:
7:57 “Vou dar outra volta no campus antes da aula em vez de checar o TikTok,
8:02 para chegar com mais oxigênio no cérebro e conseguir me concentrar.”
8:07 Se você trabalha de casa, pode decidir que, em chamadas longas de Zoom:
8:10 “Vou marchar no lugar para controlar minha glicose
8:14 e evitar o cansaço pós-reunião.”
8:16 Se você for pai ou mãe, pode dizer:
8:18 “Vou dar uma volta no campo de futebol
8:20 para ter energia suficiente para encarar o caos do jantar.”
8:25 Você pode fazer uma festa de dança
8:26 enquanto esquenta as sobras no micro-ondas.
8:28 Pode andar pelo saguão em vez de ficar sentado esperando o voo.
8:33 Uma combinação desses hábitos mantém os músculos ativos
8:37 e o humor mais estável.
8:39 Minha história favorita veio de uma mulher de 43 anos
8:42 chamada Dana, que trabalha em RH.
8:44 Dana era diabética tipo 2 e tinha vários problemas de saúde.
8:48 O médico disse que ela precisava caminhar rápido toda manhã.
8:51 Ela fazia isso, mas os números simplesmente não mudavam.
8:55 Então, com a permissão do médico, decidiu participar do estudo.
8:58 Começou a encaixar pausas entre todas as reuniões para se movimentar
9:02 e, em poucas semanas,
9:03 ela me disse que sua pressão arterial caiu 40 pontos,
9:07 o colesterol diminuiu,
9:09 e o médico disse que ela poderia começar a reduzir a insulina.
9:13 Hoje ela vive sem remédios.
9:15 (Cheers and applause)
9:16 Viva, Dana, nós te amamos.
9:18 (Aplausos)
9:20 Sabemos que tempo demais online não faz bem à saúde mental.
9:25 Mas não é só na cabeça, é no corpo.
9:30 Precisamos que o movimento faça parte da nossa vida tanto quanto as telas.
9:35 Precisamos que escolas, bairros e locais de trabalho
9:38 nos deem tempo e espaço para nos mover.
9:40 Você pode ajudar a impulsionar essa mudança.
9:44 Faça pausas para se movimentar.
9:46 E, quando olharem para você como se fosse estranho,
9:48 explique por que está fazendo isso.
9:50 Porque você só quer se sentir um pouco melhor.
9:52 Convide as pessoas a largar o celular e se juntar a você.
9:55 Comece logo, comece pequeno.
9:58 Vamos começar agora?
10:00 Sim, vamos colocar uma música.
10:03 Você pode…
10:05 pode marchar.
10:07 Pode dar uns passinhos.
10:10 Mãozinhas no ar, se não conseguir levantar.
10:13 Sinta.
10:14 Você está vivo.
10:16 Você está vivo.
10:27 Amo vocês.
10:28 (Vivas e aplausos)